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Barueri, São Paulo, Brazil
Sou psicóloga e atendo no Centro Comercial de Alphaville - SP e pelo site da psicolink. Sou voluntária no projeto CineMaterna. Mais informaçoes clicar em "Contato".

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Lutos e Perdas

Conversando com uma amiga, ela solicitou para eu postar algo sobre lutos e perdas, assim escrevi algo, espero que ajude.

A nossa vida é cheia de perdas e lutos, de altos e baixos. A maior dor, porém, é a perda de alguém muito querido, como pai, mãe, esposo ou esposa; alguém com um laço afetivo muito forte. Geralmente, associamos a perda ao luto, mas existem situações em nossa caminhada que são tão intensas que vivemos uma perda como um luto. Um exemplo são as separações, as mudanças de cidade ou trabalho, o término de um namoro, a mudança de escola, decepções, traições etc.
A morte desorganiza, deprime. Quanto mais próxima a pessoa ou a situação que se perde, mais difícil e delicado é o processo de recuperação. Mas é importante lembrar que o luto tem começo, meio e fim. Nesse processo, a dor da perda se transforma em saudade, e a vida continua, com outro sentido.
Os sintomas do luto são divididos em fases: choque, negação, raiva, depressão e aceitação. Nesse processo, a pessoa experimenta desinteresse pela vida, culpa, baixa auto-estima, angústia, revolta. A duração e a intensidade desses sentimentos vão depender do histórico de perdas da pessoa, e também do grau de relação com quem morreu, a perda mais dura seria a de um filho, e do tipo de morte. Nas mortes traumáticas, acidente, suicídio, assassinato, pode haver uma fase de negação mais prolongada, a culpa e a revolta podem aparecer com mais intensidade.
Para superar o luto, é importante não sublimar a dor. Assumir que você tem direito de estar de luto, de chorar, de querer se recolher, de sentir a dor da ruptura. Não tente mascarar a realidade e os seus sentimentos.
A dificuldade em encarar o fim da vida, como parte da existência é o que faz do luto uma experiência tão assustadora.
De maneira geral, leva-se de um a dois anos para aceitar a perda. Nesse período vão ocorrer pela primeira vez as datas importantes: aniversário, natal, os momentos que a família costuma se reunir, momentos que as lembranças se fazem mais fortes.
O modo patológico de lidar com estas perdas trazem muito sofrimento e angústia pra própria pessoa e para aqueles que convivem com ela. Quando se percebe que não está conseguindo vivenciar o luto, permitir-se sentir a dor ou a mesma está impactando nas necessidades do cotidiano, como trabalhar, alimentar-se, cuidar da higiene própria e da casa, não saindo da fase inicial ou então a pessoa nem sequer entra no luto, age como se nada tivesse acontecido. Nesse luto adiado, a dor fica guardada em algum lugar e um dia emerge sob outra forma, normalmente de depressão. Nestes casos deve ser tratado através de psicoterapia. Junto com o psicólogo a pessoa irá vivenciar uma espécie de revivência do passado.
Este não é um processo fácil e rápido, mas é fundamental para que a pessoa possa se construir em bases mais sólidas e firmes, sem se sentir despedaçada e fragmentada cada vez que experimentar uma perda.
O sofrimento precisa ser superado, e o único meio de superá-lo é suportando-o. O sofrimento nos constrói ou nos destrói, por isso temos que sofrer o que temos para sofrer, mas permitir que a vida prossiga, pois a reação mais justa perante o sofrimento é a superação.

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